Excerto do livro mais lido do médium Francisco (Chico) Xavier, um dos mais poderosos e famosos que existiu em todo o Mundo (breve explicação: um médico, o espírito André Luiz, morre e durante muito tempo vagueia pelos umbrais dos desencarnados, uma viagem sem rumo, no meio de paisagens etéreas pardacentas, sombras disformes e súplicas horrendas até que outro espírito benfeitor o resgata e o leva para uma colónia de espíritos que estão em recuperação, denominada Nosso Lar... ):
- "Nosso Lar" não é estância de espíritos propriamente vitoriosos, se conferirmos ao termo a sua razoável acepção. Somos felizes porque temos trabalho; e a alegria habita cada recanto da colónia, porque o Senhor não nos retirou o pão abençoado do serviço.
Aproveitando a pausa mais longa, exclamei sensibilizado:
- Continue meu amigo, esclareça-me. Sinto-me aliviado e tranquilo. Não será esta região um departamento celestial dos eleitos?
Lísias sorriu e explicou:
- Recordemos o antigo ensinamento que se refere a muitos chamados e poucos escolhidos na Terra.
E vagueando o olhar no horizonte longínquo, como a fixar experiências de si mesmo no painel das recordações mais íntimas, acentuou:
- As religiões, no planeta, convocam as criaturas ao banquete celestial. Em sã consciência, ninguém que se tenha aproximado um dia, da noção de Deus, pode alegar ignorância nesse particular. Incontável é o número de chamados, meu amigo; mas, onde os que atendem ao chamado? Com raras excepções, a massa humana prefere aceder a outro género de convites. Gasta-se a possibilidade nos desvios do bem, agrava-se o capricho de cada um, elimina-se o corpo físico a golpes de irreflexão. Resultado: milhares de criaturas retiram-se diariamente da esfera da carne em doloroso estado de incompreensão. Multidões sem conto erram em todas as direcções nos círculos imediatos à crosta planetária, constituida de loucos, doentes e ignorantes.
Notando-me a admiração, interrogou:
- Acreditaria, porventura, que a morte do corpo nos conduziria a planos de milagres? Somos compelidos a trabalho áspero, a serviços pesados e não basta isso. Se temos débitos no planeta, por mais alto que ascendamos, é imprescindível voltar, para rectificar, lavando o rosto no suor do mundo, desatando algemas de ódio, e substituindo-as pelos laços sagrados de amor. Não seria justo impôr a outrém a tarefa de mondar o campo que semeámos de espinhos com as próprias mãos.
Abanando a cabeça, acrescentava:
- Caso dos muito chamados, meu caro. O Senhor não esquece homem algum; todavia, raríssimos homens o recordam."
http://geal-ba.blogspot.com/2007/06/biografia-de-andr-luiz.html
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário