"A crença na sobrevivência da alma depois da morte do corpo não data de hoje. Mesmo se começamos a redescobri-la no Ocidente, é uma parte integrante da tradição religiosa oriental pelo menos há 4000 anos. Segundo os mais antigos manuscritos que foram encontrados, seria originária do norte da Índia e ter-se-ia estendido por toda a Ásia, compreendendo a Ásia menor.
No Oriente, a doutrina do renascimento é inerente á própria vida. Os orientais consideram o homem como um espírito, que progride ao longo da vida, morte e renascimento (...) o que os preocupa é o modo de reduzirem a sua ligação ao «mundo de baixo», de se libertarem do ciclo incessante de nascimentos, de alcançarem a iluminação, a libertação da alma, o nirvana. Não se trata de um afastamento do mundo sofredor para viver na beatitude perfeita, como acreditaram certos autores ocidentais. Trata-se de progredir enquanto espírito, no seio da luz divina, sem nunca mais sentir o desejo de se separar dela.
Os Vedas são os textos sagrados mais antigos sobre este assunto que chegaram até nós. Constituem os primeiros documentos literários da Índia, redigidos em sânscrito arcaico. Foram escritos no Tibete, antes dos indianos terem chegado á Índia numa migração iniciada na Ásia central. Estes Vedas são anteriores em alguns séculos à filosofia grega e precedem igualmente a Torah, o livro sagrado do povo judeu (...). Foram provavelmente escritos cerca do ano 1500 a.C. Já aí se encontram as orações pelas pessoas defundas e alusões às infelicidades resultantes dos nascimentos múltiplos.
(...) Porque é que a Igreja não ensina a reencarnação?
Inúmeros cristãos defendem que não se pode crer na Ressurreição e na Reencarnação. Para eles, as duas coisas são incompatíveis. No melhor dos casos, limitam-se ao silêncio sobre o assunto ou, então, chegam ao ponto de afirmarem que não é possível dizer-se que se é cristão se se acredita na reencarnação. Raros são aqueles que tentam informar-se sobre a doutrina das vidas sucessivas, sobre os grandes cristãos que as professaram ou sobre as duas coisas. Citarei apenas a resposta que lhes fornece o metafísico cristão e extraordinário professor de teologia, Emmet Fox, no seu «Sermon sur la montagne» : «alguns cristãos observarão que esta lei da retribuição é de origem budista ou hindu e não cristã. É um facto que é ensinada pelos Budistas e pelos Hindus. É igualmente verdade que os orientais as compreendem melhor do que nós, o que não quer dizer que seja pertença deles, significando antes que as igrejas cristãs negligenciaram a explicação aos seus fiéis de um ponto fundamental dos ensinamentos de Jesus. Aos que objectam que não se trata de uma lei cristã (...) diremos que Jesus a ensinou da maneira mais directa e mais categórica, quando disse: «Não julgueis para que não sejais julgados; porque do modo como julgardes sereis vós próprios julgados, e é na forma como servis que sereis servidos». Quando penetramos no Evangelho, podemos libertarmo-nos. O Karma só é inexorável para aqueles que recusam terminantemente a oração. A partir do momento em que começarmos a orar, começamos a elevar-nosa acima do Karma. Anulamos gradualmente as consequências incómodas dos nossos erros passados. Para cada um dos nossos erros, devemos ou suportar as consequências, isto é, expiar ou então redimirmo-nos pela evocação da Presença Divina. Quando a oração ou o tratamento espiritual forem suficientemente eficazes para fazer do pecador um homem novo e destruir nele o desejo de recair no pecado, então está salvo. A sua punição está redimida porque Cristo é mestre do Karma».
Do Livro de Joanne Esner, "O Fantástico Mundo da Reencarnação - Guia do renascimento interior" - Pergaminho.
http://www.emmetfox.net/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emmet_Fox
http://www.portaldareencarnacao.com/
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