terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Homem da pasta preta

Entrou num Banco, o Homem da pasta preta, com um ar importante e exigiu falar com o Gerente com aquela voz exclusiva dos muito arrogantes e autoritários. O poder emanava de toda a sua atitude, dos sapatos impecáveis, do seu fato obviamente caro, do olhar duro e observador. O Gerente, solícito, levou-o para um gabinete privado, onde poderiam falar de modo mais reservado. Perguntou-lhe em que poderia ajudá-lo e o Homem da pasta preta disse que pretendia um empréstimo. Mas não seria um empréstimo qualquer. Seria na ordem de alguns milhares de euros para um investimento que se pretendia ser um negócio avultado. Tentando obter mais detalhes, o Gerente, confuso, pediu documentos, declarações, estudos económicos, dados contabilísticos e outros que tais. Furioso, o Homem da pasta preta levantou-se, disse que não, iria a outro lado, não o entendiam ali, era uma pessoa muito importante, não esperava aquele atendimento, tinha muita pressa... O Gerente desculpou-se, disse - sabe, são as regras deste Banco, teremos de analisar a sua proposta. E voltou a insistir na necessidade de apresentação de mais detalhes da operação. O Homem da pasta preta levantou-se e saiu impaciente, sem querer ouvir as explicações que o Gerente, um pouco atordoado, ia dando pelo caminho, acompanhando-o até à porta.
Passado umas semanas, o Homem da pasta preta voltou àquela filial bancária. Com o mesmo olhar duro, a mesma atitude de quem não pode esperar e pediu novamente para falar com o Gerente. Sentaram-se num gabinete e o Homem da pasta preta pediu um empréstimo. Mais pequeno, desta vez, para fazer face a algumas despesas extra do tal investimento importante. O Gerente voltou a pedir algumas garantias para o Banco poder estudar o pedido. Acabrunhado, desta vez, o Homem da pasta preta informou que não as tinha. E lá foi desfiando algumas escassas informações: que os sócios do tal investimento lhe tinham pedido algum dinheiro para ele entrar também, mas que nesta altura não estava com liquidez de capitais próprios suficiente. Após mais alguma insistência simpática do Gerente, o Homem da pasta, com um ar cada vez mais desesperado, contou finalmente a sua vida: que tinha ficado viciado no jogo da Bolsa, efectuado algumas manobras menos lícitas para angariação de mais dinheiro, com perdas sucessivas, e que, passado pouco tempo, tinha sido demitido do seu cargo importante, que os poucos amigos lhe tinham virado as costas, a mulher tinha até exigido o divórcio e pedia agora uma pensão de alimentos astronómica, os filhos adolescentes estavam do lado da mulher, pois claro, e tinha levado os seus vários fatos feitos à medida e os seus inúmeros sapatos e todas as suas gravatas caras do grande apartamento familiar, dormia agora num modesto hotel de Lisboa, mas estava aflito, já tinha gasto os seus recursos, não pagava a conta há um mês e ameaçavam despejá-lo, não encontrava trabalho em lado nenhum, já não estava a ficar novo, quase 55 anos, bem vê, é uma situação difícil. E a vergonha, meu Deus, que suplicio! Que já tinha pensado matar-se mas que sempre tinha achado que esse era o refúgio dos fracos, estava tão desesperado, nunca se tinha visto em tal aperto...
O Gerente acompanhou-o bondosamente até à porta, também era pai de filhos e nem queria pensar em imaginar-se em tal situação, e gentilmente foi-o aconselhando-o a começar a procurar talvez um trabalho mais modesto, noutra área profissional, quem sabe, conseguisse livrar-se desta aflição, e depois, com mais tempo, progrediria para outra actividade. O Homem da pasta agradeceu-lhe educadamente, antes de sair, era mesmo isso, só precisava naquele momento de ouvir uma palavra amiga, o Gerente nem sabia o bem que lhe fazia, ninguém lhe falava assim há tanto tempo...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Para onde vais? ...

Para onde vais? Shiu, não foi isso que eu te perguntei, não atropeles as palavras que eu não sou nenhum polícia, apenas te peço, ouve-me, vou voltar a perguntar-te: para onde vais? Qual é o destino que te empurra, com essa pressa tamanha, esse teu jeito de quem está sempre de mau humor, as costas muito direitas, os saltos altos a pisarem o empedrado com ganas de o partir, o sorriso fechado, a pele pálida habilmente disfarçada, uma fenda no olhar e sempre mais depressa, que o tempo é tão diminuto...
Para onde vais? Schiu, cala-te! Nada de explicações, ou melhor, explica-te, mas devagar, saboreia antes este pensamento - para onde vais? -, tu, sim, estou a perguntar-te agora, antes que seja tarde demais, sei que tens muito trabalho, a empresa onde entraste é tão exigente como uma jovem loba, os familiares também não te dão descanso, eu percebo, e o teu novo namorado a reinvindicar-te mais momentos de aconchego, as tuas melhores amigas pedem compreensão e tempo para as suas (in)confidências femininas, eu até entendo. Mas e tu? Já sabes para onde vais? Tens rumo certo, direcção definida, um propósito maior para a tua vida? Lembras-te, há muito tempo atrás, dos teus sonhos por concretizar, dos teus ideais para defender? Não...?!
Deixaste-te sentar, ficaste como que amarfanhada na cadeira, tão encolhida que nem te reconheço, de semplante subitamente frágil, e dizes-me agora que a tua existência foi atropelada, empurrada, amassada e (deso)orientada sempre pelos outros, pela familia, pela sociedade, até pela tua ambição, e está toda baralhada, furada, sem um padrão...? E que só hoje percebeste que afinal não caminhas para lado nenhum porque não sabes sequer qual é o teu caminho, minha pobre querida, e que te sentes tão confusa e tão perdida como uma simples criança...

Comunicar com o seu anjo da guarda - do Livro de Haziel

Haziel é o pseudónimo cabalístico usado pelo autor François Bernad-Termés nas suas obras sobre os Anjos da Guarda. Nascido em Gerona, na Catalunha, é um dos mais respeitados especialistas em estudos esotéricos em geral e em angelografia em particular.
Excerto:
..."Durante um período muito longo, o Homem manteve contacto com o Mundo Astral que acabava de abandonar. Era guiado pelo seu Anjo da Guarda, um pouco como nós guiamos os nossos animais domésticos actuais. Os Anjos da Guarda tinham adquirido (têm), não somente a auto-consciência mas também a Consciência Criadora. Os Anjos da Guarda eram os nossos mestres, os nossos conselheiros, os instrutores naquela fase de evolução na Terra; ensinavam-nos a melhor maneira de agir, a mais útil a nós mesmos, ao próximo e à Obra Divina. Eis a primeira ajuda que recebemos dos Anjos da Guarda: eles conhecem-nos muito bem.
Para receber os conselhos dos Anjos da Guarda, o Homem devia voltar ao Mundo que acabava de deixar e só lhe era possível realizar isso durante a noite, quando o seu corpo dormia. Durante o sono, o corpo Astral (o corpo de Desejo, Emocional, Sensível) do Homem situa-se no mundo Astral. É lá que ele podia - que ele pode -, dialogar se desejasse - se o deseja -, com os Seres Superiores que eram os seus Mestres, os Anjos da Guarda.
É, pois, nos sonhos que os Anjos da Guarda falam aos Humanos.
(...) o fogo de uma vela pode acender milhares de outras sem perder o seu brilho. É assim que a Chama Luminosa do Anjo da Guarda pode acender a nossa própria Luz. A parte elevada, espiritual, divina, de que somos portadores, deve tornar-se activa pela acção material, pelo estudo e pela Oração, pois é então que o Anjo da Guarda (respeitando sempre a nossa vontade e livre arbítrio) nos orientará para o sucesso espiritual e material.
(...) as diferentes Invocações e Orações dirigidas aos Anjos da Guarda, neste livro, e nas minhas obras anteriores, transmitem energias espirituais (e também mentais e emocionais). Mas, não se trata, somente, de pronunciar algumas palavras à pressa. É preciso juntar-lhes a intenção, o desejo profundo de obter o que se pede; é preciso um esforço e um amor. E, neste caso, a Invocação é amais poderosa fonte de energias de que dispõe o ser humano que deseja encontrar a Paz e a Felicidade. Mas, logo à partida, desde a Comunicação directa com o nosso Anjo da Guarda, as orações, as Invocações não devem ser de súplica ou de petição, mas de agradecimento, de acção de graças. Agradecer de todo o coração ao Anjo da Guarda pelos bens recebidos.
(...) A Comunicação com o nosso Anjo da Guarda vai permitir-nos viver com o que há de melhor, de mais elevado, em nós. Teremos a possibilidade de penetrar níveis internos mais espiritualizados. Pois o ser humano, embora seja espírito e matéria, existe graças às relações entre estas duas naturezas. Os sentimentos, os pensamentos e os actos serão mais espirituais ou mais materiais de acordo com o factor dominante nesta relação."
http://www.eurovoyance.com/cgi-bin/librairie/rayons.php3?IdCategorie=735

"Nosso Lar" II - Livro de Francisco C. Xavier

Excerto do livro mais lido do médium Francisco (Chico) Xavier, um dos mais poderosos e famosos que existiu em todo o Mundo (breve explicação: um médico, o espírito André Luiz, morre e durante muito tempo vagueia pelos umbrais dos desencarnados, uma viagem sem rumo, no meio de paisagens etéreas pardacentas, sombras disformes e súplicas horrendas até que outro espírito benfeitor o resgata e o leva para uma colónia de espíritos que estão em recuperação, denominada Nosso Lar... ):
- "Nosso Lar" não é estância de espíritos propriamente vitoriosos, se conferirmos ao termo a sua razoável acepção. Somos felizes porque temos trabalho; e a alegria habita cada recanto da colónia, porque o Senhor não nos retirou o pão abençoado do serviço.
Aproveitando a pausa mais longa, exclamei sensibilizado:
- Continue meu amigo, esclareça-me. Sinto-me aliviado e tranquilo. Não será esta região um departamento celestial dos eleitos?
Lísias sorriu e explicou:
- Recordemos o antigo ensinamento que se refere a muitos chamados e poucos escolhidos na Terra.
E vagueando o olhar no horizonte longínquo, como a fixar experiências de si mesmo no painel das recordações mais íntimas, acentuou:
- As religiões, no planeta, convocam as criaturas ao banquete celestial. Em sã consciência, ninguém que se tenha aproximado um dia, da noção de Deus, pode alegar ignorância nesse particular. Incontável é o número de chamados, meu amigo; mas, onde os que atendem ao chamado? Com raras excepções, a massa humana prefere aceder a outro género de convites. Gasta-se a possibilidade nos desvios do bem, agrava-se o capricho de cada um, elimina-se o corpo físico a golpes de irreflexão. Resultado: milhares de criaturas retiram-se diariamente da esfera da carne em doloroso estado de incompreensão. Multidões sem conto erram em todas as direcções nos círculos imediatos à crosta planetária, constituida de loucos, doentes e ignorantes.
Notando-me a admiração, interrogou:
- Acreditaria, porventura, que a morte do corpo nos conduziria a planos de milagres? Somos compelidos a trabalho áspero, a serviços pesados e não basta isso. Se temos débitos no planeta, por mais alto que ascendamos, é imprescindível voltar, para rectificar, lavando o rosto no suor do mundo, desatando algemas de ódio, e substituindo-as pelos laços sagrados de amor. Não seria justo impôr a outrém a tarefa de mondar o campo que semeámos de espinhos com as próprias mãos.
Abanando a cabeça, acrescentava:
- Caso dos muito chamados, meu caro. O Senhor não esquece homem algum; todavia, raríssimos homens o recordam."
http://geal-ba.blogspot.com/2007/06/biografia-de-andr-luiz.html

"Nosso Lar" I - Livro de Francisco C. Xavier

"Uma existência é um ato.
Um corpo - uma veste.
Um século - um dia.
Um serviço - uma experiência.
Um triunfo - uma aquisição.
Uma morte - um sopro renovador.
Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?"

sábado, 19 de janeiro de 2008

Origens da crença na reencarnação - segundo Joanne Esner

"A crença na sobrevivência da alma depois da morte do corpo não data de hoje. Mesmo se começamos a redescobri-la no Ocidente, é uma parte integrante da tradição religiosa oriental pelo menos há 4000 anos. Segundo os mais antigos manuscritos que foram encontrados, seria originária do norte da Índia e ter-se-ia estendido por toda a Ásia, compreendendo a Ásia menor.
No Oriente, a doutrina do renascimento é inerente á própria vida. Os orientais consideram o homem como um espírito, que progride ao longo da vida, morte e renascimento (...) o que os preocupa é o modo de reduzirem a sua ligação ao «mundo de baixo», de se libertarem do ciclo incessante de nascimentos, de alcançarem a iluminação, a libertação da alma, o nirvana. Não se trata de um afastamento do mundo sofredor para viver na beatitude perfeita, como acreditaram certos autores ocidentais. Trata-se de progredir enquanto espírito, no seio da luz divina, sem nunca mais sentir o desejo de se separar dela.
Os Vedas são os textos sagrados mais antigos sobre este assunto que chegaram até nós. Constituem os primeiros documentos literários da Índia, redigidos em sânscrito arcaico. Foram escritos no Tibete, antes dos indianos terem chegado á Índia numa migração iniciada na Ásia central. Estes Vedas são anteriores em alguns séculos à filosofia grega e precedem igualmente a Torah, o livro sagrado do povo judeu (...). Foram provavelmente escritos cerca do ano 1500 a.C. Já aí se encontram as orações pelas pessoas defundas e alusões às infelicidades resultantes dos nascimentos múltiplos.
(...) Porque é que a Igreja não ensina a reencarnação?
Inúmeros cristãos defendem que não se pode crer na Ressurreição e na Reencarnação. Para eles, as duas coisas são incompatíveis. No melhor dos casos, limitam-se ao silêncio sobre o assunto ou, então, chegam ao ponto de afirmarem que não é possível dizer-se que se é cristão se se acredita na reencarnação. Raros são aqueles que tentam informar-se sobre a doutrina das vidas sucessivas, sobre os grandes cristãos que as professaram ou sobre as duas coisas. Citarei apenas a resposta que lhes fornece o metafísico cristão e extraordinário professor de teologia, Emmet Fox, no seu «Sermon sur la montagne» : «alguns cristãos observarão que esta lei da retribuição é de origem budista ou hindu e não cristã. É um facto que é ensinada pelos Budistas e pelos Hindus. É igualmente verdade que os orientais as compreendem melhor do que nós, o que não quer dizer que seja pertença deles, significando antes que as igrejas cristãs negligenciaram a explicação aos seus fiéis de um ponto fundamental dos ensinamentos de Jesus. Aos que objectam que não se trata de uma lei cristã (...) diremos que Jesus a ensinou da maneira mais directa e mais categórica, quando disse: «Não julgueis para que não sejais julgados; porque do modo como julgardes sereis vós próprios julgados, e é na forma como servis que sereis servidos». Quando penetramos no Evangelho, podemos libertarmo-nos. O Karma só é inexorável para aqueles que recusam terminantemente a oração. A partir do momento em que começarmos a orar, começamos a elevar-nosa acima do Karma. Anulamos gradualmente as consequências incómodas dos nossos erros passados. Para cada um dos nossos erros, devemos ou suportar as consequências, isto é, expiar ou então redimirmo-nos pela evocação da Presença Divina. Quando a oração ou o tratamento espiritual forem suficientemente eficazes para fazer do pecador um homem novo e destruir nele o desejo de recair no pecado, então está salvo. A sua punição está redimida porque Cristo é mestre do Karma».
Do Livro de Joanne Esner, "O Fantástico Mundo da Reencarnação - Guia do renascimento interior" - Pergaminho.
http://www.emmetfox.net/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emmet_Fox
http://www.portaldareencarnacao.com/

A Memória

"De um modo que a medicina mal começa a entrever, a memória de um célula morta parece ser capaz de sobreviver à própria célula".
Deepak Chopra
http://www.chopra.com/

domingo, 13 de janeiro de 2008

A vida no corpo

A vida não é dada a ninguém de graça, mas sempre como um bem arrendado temporariamente.
Lucrécio (c. 94-55 a.C.)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A promessa

Um ano novo cheio de novas promessas, das quais a maioria fica sempre por cumprir... para alguns a vontade de deixar definitivamente de fumar; para outros a jura de passarem a fazer ginástica regularmente; para alguns outros a convicção de que é desta que vão finalmente viajar e usufruirem daquele fim-de-semana especial há tanto tempo adiado, etc...
São inumeras as ideias que todos nós tentamos pôr em prática a cada novo ano. Mas não nos devemos preocupar demasiado. Afinal, se conseguirmos agora em 2008 mudar apenas um (UM SÓ) hábito nocivo que temos e "arrancá-lo" para sempre das nossas vidas, já estaremos a evoluir ... e certamente em 2009 será mais fácil cumprir uma outra nova promessa. Por isso, desejo um bom ano a todos nós!