domingo, 2 de dezembro de 2007

A Reencarnação - segundo o Livro O Nosso Lar

O Nosso Lar é um livro da safra espírita que é justamente considerado um dos dez melhores livros espíritas publicados no século XX.
Relata as experiências vividas, após a morte física de um médico brasileiro, no Mundo Espiritual, e as suas observações que foram transmitidas ao médium Francisco C. Xavier (este livro foi originalmente publicado nos anos quarenta, em plena Segunda Gerra Mundial). Esse homem morre mas não alcança o imaginado céu, em vez disso passa por duras provas até que ascende a um espaço onde coabitam outros espíritos um pouco mais esclarecidos:
..."Lísias, o companheiro amável de todos os dias, não regateava explicações.
- A morte do corpo não conduz o homem a situações miraculosas, dizia. Todo o processo evolutivo implica gradação. Há regiões múltiplas para os desencarnados, como existem planos inúmeros e surpreendentes para as criaturas envolvidas de carne terrestre. Almas e sentimentos, formas e coisas, obedecem a principios de desenvolvimento natural e hierarquia justa.
Preocupava-me, todavia, permanecer ali, num parque da saúde, havia muitas semanas, sem a visita sequer de um conhecido do mundo. Afinal, não fora eu a única pessoa do meu círculo a decifrar o enigma da sepultura. Meus pais me haviam antecipado na grande jornada. Amigos meus, noutro tempo, me haviam precedido. Por que, então, não apareciam naquele quarto de enfermidade espiritual, para conforto do meu coração dolorido? Bastariam alguns momentos de consolação.
Um dia, não pude conter-me e perguntei ao solícito visitador:
- Meu caro Lísias, acha possível aqui, o encontro com aqueles que nos antecederam na morte do corpo físico?
- Como não? Pensa que está esquecido?!...
- Sim. Porque não me visitam? Na Terra, sempre contei com a abnegação maternal. Minha mãe , entretanto, até agora não deu sinal de vida. Meu pai, igualmente, fez a grande viagem, três anos antes do meu trespasse.
- Pois note - esclareceu Lísias -, sua mãe o tem ajudado dia e noite, desde a crise que antecipou sua vinda. Quando se acamou para abandonar o casulo terrestre, duplicou-se o interesse maternal a seu respeito. Talvez não saiba ainda que sua permanência nas esferas inferiores durou mais de oito anos consecutivos. Ela jamais desanimou. Intercedeu, muitas vezes, em "Nosso Lar", a seu favor. Rogou os bons oficios de Clarêncio, que começou a visitá-lo frequentemente, até que o médico da Terra, vaidoso, se afastasse um tanto, a fim de surgir o filho dos Céus. Compreendeu?
Eu tinha os olhos húmidos. Ignorava o número de anos que me distanciavam da gleba terrestre. Desejei conhecer os processos de protecção imperceptível, mas não consegui. Minhas cordas vocais estavam entorpecidas, com o nó de lágrimas represadas no coração.
- No dia em que você orou com tanta alma - prosseguiu o enfermeiro visitador -, quando compreendeu que tudo no Universo pertence ao Pai Sublime, seu pranto era diferente. Não sabe que há chuvas que destroem e chuvas que criam? Lágrimas há também, assim. É lógico que o Senhor não espera por nossas rogativas para nos amar; no entanto, é imdispensável nos colocarmos em determinada posição receptiva, a fim de compreender-lhe a infinita bondade. Um espelho enfuscado não reflecte a luz. Desse modo, o Pai não precisa das nossas penitências, mas convenhamos que as penitências prestam óptimos serviços a nós mesmos. Entendeu? Clarêncio não teve dificuldade em localizá-lo, atendendo aos apelos de sua generosa progenitora da Terra, você, porém, demorou muito a encontrar Clarêncio. E quando sua mãezinha soube que o filho tinha rasgado os céus escuros com o auxílio da oração, chorou de alegria, segundo me contaram...".
Excerto do Livro O Nosso Lar, de Francisco Cândico Xavier
http://www.chicoxavieruberaba.com.br/biografia.html

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